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Eventos Congonhas

museu de congonhasmuseu de congonhasLocalizado na Ladeira do Bom Jesus, é constituído de documentos, livros, fotos mobiliários, obras de artistas e objetos familiares. Todo acervo oferece ao visitante uma visão do passado e do presente da cidade de Congonhas.

Endereço: Rua Bom Jesus, n°250-Centro
Congonhas-MG

 

:: Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos,

basc3adlica-do-senhor-bom-jesus-de-matosinhos-059basc3adlica-do-senhor-bom-jesus-de-matosinhos-059

Através de peregrinações entre vales e montes, de igreja em igreja foi sendo tecida a história do município, iniciada por aqueles homens impregnados de pó de minério e de fé. De igreja em igreja chega-se ao alto do morro Maranhão onde o português Feliciano Mendes, na segunda metade do século XVIII, fincou uma cruz tosca, e dedicando sua vida ao Senhor Bom Jesus do Matosinhos, deu início à construção do Santuário.

Feliciano Mendes fizera uma promessa para recuperar a sua saúde perdida após muitos anos de trabalho na exploração de jazidas de ouro. Atendido, deu início às obras em 1757 e dois anos depois já estava pronto todo o corpo da Igreja. Uma vez mais religiosidade e trabalho se confundiam. A capela se erguia pelas mãos de Feliciano, que com um pequeno oratório do Senhor Bom Jesus do Matosinhos recolhia esmolas e donativos para a construção. As mesmas mãos que num gesto de humildade recolhia tais donativos, foram hábeis o bastante para traçar a grandiosa concepção do Santuário.

Não existe nos registros nenhuma indicação com a relação ao risco e planta do Santuário, mas tudo leva a crer que Feliciano Mendes teria traçado o desenho, conhecedor que era das igrejas do Bom Jesus do Matosinhos, perto da cidade do Porto, em Portugal. E porque também o primeiro ermitão de Congonhas do Campo era "oficial de pedreiro", profissão mencionada em seu termo de entrada para a Ordem Terceira de São Francisco de Vila Rica, em 11 de janeiro de 1760. A morte o surpreendeu, em Antônio Pereira, a 23 de setembro de 1765, sem ter ainda terminado a sua igreja, que tinha até então três altares. Sobre o altar-mor, a imagem do Senhor crucificado vinha de Portugal, deixava paga a promessa.

As obras do Santuário foram crescendo com o tempo e com o precioso trabalho dos melhores artistas da época. O Santuário de hoje, em sua excepcional grandiosidade foi fruto da imaginação e sensibilidade de nomes importantes, como Manoel da Costa Athayde, Francisco Xavier Carneiro e Aleijadinho.
Toda a concepção do Aleijadinho e sua execução dos Passos e dos Profetas do adro, dão ao santuário uma majestade excepcional. A adequação das estátuas ao espaço arquitetônico que elas ocupam é perfeita. Em Congonhas, o gênio de Aleijadinho se libertou e foi aqui, que ele deixou as maiores obras-primas de toda sua arte barroca.

Foto: Marcos Costa (site:marcoscosta.worpress.com)

 

:: Igreja Nossa Senhora da Conceição

Igreja Nossa Sra.da Congonhas 18Igreja Nossa Sra.da Congonhas 18

A primeira metade do século XVIII ficou marcada em Congonhas como a época de intensa religiosidade, traduzida pela construção da maioria das Igrejas, que ainda hoje representam a fé de seu povo.
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição é parte dessa época e nela se encontram várias fases do barroco. Tem o frontispício de Aleijadinho e pintura dos melhores artistas mineiros da época. Foi elevada à categoria de Igreja em 06 de novembro de 1749. A fachada da Igreja Matriz foi construída em estilo jesuítico do século XVIII, com duas torres, frontais com voluta e sineira, ligadas ao corpo da igreja. No Portado, decoração representando a Arca de Noé e a Pomba Imaculada, figuras bíblicas de Maria Imaculada, pairando sobre o dilúvio do pecado.
A nave da Matriz de Nossa Senhora da Conceição é uma das maiores de Minas, e forma um só corpo, sem corredor, balaustrada em jacarandá. O grande número de imagens de santos, tanto na Igreja Matriz como em outras de Congonhas, enriquecem a composição dos altares, e comprovam a grande habilidade, fé e sensibilidade dos artistas que trabalharam no barroco mineiro.
No altar lateral da Igreja Matriz, à esquerda, está a imagem de Nossa Senhora do Carmo, talhada em madeira, e no altar à direita uma imagem de Santana. Nos altares ao lado do arco se encontram a imagem de Nossa Senhora das Dores e a do Senhor dos Passos.
Em outros altares, erguem-se belíssimas talhas, querubins assexuados, colunas salomônicas, folhas de parreiras. Ao fundo da Igreja estão as imagens de Cristo Flagelado "Ecce Homo" e da Nossa Senhora da Pedra Fria. No arco central, a coroa real e o escudo, sustentados por dois anjos, a indicar que a vigaria foi criada por decreto real, em 12 de fevereiro de 1734.
No altar-mor se encontra a Imagem da Padroeira, Nossa Senhora da Conceição. Dos dois lados, as imagens de São Gerônimo e Santa Bárbara. E em cima do altar a imagem de São José e ao lado de todo o retábulo a representação da Santíssima Trindade. Santos e imagens, incrustados nos altares em meio às colunas decorativas, atlantis, rocalha e anjos em fino labor de talha, fazem da Matriz de Nossa Senhora da Conceição uma das mais belas igrejas de Minas.

 

::A Igreja São José

igreja são José-CONGONHASigreja são José-CONGONHASJá do ano de 1817, com seu riquíssimo acervo de esculturas sacras. As esculturas de Doze Profetas feitas por Aleijadinho e seis capelas com cenas da Paixão de Cristo. O santuário está localizado no morro do Maranhão, no município brasileiro de Congonhas, estado de Minas Gerais.
O conjunto foi construído em várias etapas, nos séculos XVIII e XIX, por vários mestres, artesãos e pintores, como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e Manuel da Costa Ataíde.
Tombado pelo SPHAN, atual IPHAN, em 1939, como patrimônio histórico nacional, foi considerado Patrimônio Mundial da Unesco em 1985.

A fundação do santuário é atribuída ao português Feliciano Mendes3 que, tendo adoecido gravemente, prometeu construir um templo a Bom Jesus de Matosinhos, como o que havia em Braga, sua terra natal, caso alcançasse a cura.
A primeira igreja do novo Matosinhos de Minas Gerais foi construída em 1773, com a construção, anos após, entre 1780 e 1793 da Via Crúcis do sopé do morro até o santuário. Em 26 de julho de 1957, o Papa Pio XII, reconhecendo a importância histórica, artística e religiosa do conjunto, elevou a igreja principal à dignidade de Basílica Menor.

A via-sacra é composta por uma série de capelas de planta quadrada, paredes caiadas e teto de quatro águas que abrigam cenas da Paixão de Cristo representadas mediante conjuntos esculturais esculpidos em cedro brasileiro e policromias, seguindo a estética sentimental e rebuscada do rococó.
O sacro caminho desenrola-se em ziguezague, subindo por uma ladeira simbólica na qual organizavam-se procissões de penitência para expiar as culpas da sociedade opulenta do final do século XVIII neste importante centro minerário do Novo Mundo.

Foto: Câmara Municipal de Congonhas

 

:: A Igreja de Nossa Senhora do Rosário

É a mais antiga de congonhas, construída no final do século XVII,
Igreja do Rosário-Congonhas 21Igreja do Rosário-Congonhas 21A Igreja Matriz de Nossa senhora da conceição da mesma época onde pode-se contemplar as várias fases do Barroco Mineiro em pedra e sabão.

 

A Primeira destas igrejas foi construída antes mesmo de os mineradores chegarem à região.
A Igreja do Rosário, a mais antiga de Congonhas, foi construída pelos escravos em fins do século XVII e conserva até hoje a singeleza daquela época.
A primeira metade do século XVIII ficou marcada em Congonhas como a época de intensa religiosidade, traduzida pela construção da maioria das Igrejas, que ainda hoje representam a fé de seu povo.

 

igreja-nossa-senhora-soledade-CONGONHA-Internet.Roberta Sorianoigreja-nossa-senhora-soledade-CONGONHA-Internet.Roberta Soriano

 

 

 

 

::Igreja de Nossa Senhora da Soledade

 

Com sua construção na metade do século XVIII, foi filiada inicialmente à Igreja de Ouro Branco.

com suas belas imagens esculpidas em madeira e gesso. Tem um grande significado Histórico para a comunidade local.

A capela se transformou em Igreja, e nela se encontram entre outras de madeira e de gesso as imagens de Nossa Senhora da Soledade, Nossa Senhora das Dores, Santo Antônio e o Menino, São Joaquim de Bota, Nossa Senhora de Lourdes, São Sebastião, São Jorge, Sagrado Coração de Jesus e São Judas Tadeu.

Foto: Roberta Soriano (site: http://eucurtominas.com.br/congonhas)

 

::A Igreja de Nossa Senhora da Ajuda

 

Igreja Nossa Senhora da AjudaIgreja Nossa Senhora da AjudaCongonhas de Campo. Mineradores se embreavam pela mata cerrada em busca de ouro e erguiam nos arraiais seus templos de fé.
A Igreja de Nossa Senhora Da Ajuda, no distrito do Alta Maranhão, foi construída em 1746. Seus quatro altares laterais guardam à direita as imagens de Santo Antônio, Nossa Senhora Aparecida, São Benedito, Santa Efigênia, São Pedro e Nossa Senhora Concebida.
À esquerda encontram-se as imagens de São Sebastião, Sagrado Coração de Jesus, São Francisco de Assis, Nosso Senhor dos Passos e São Roque. A sacristia possui ainda um altar com as imagens de Nossa Senhora das Dores e do Senhor dos Passos, além de um lindíssimo chafariz em Pedra Sabão. O altar-mor guarda a imagem de Nossa Senhora Da Ajuda.

Foto: Câmara Municpal de Congonhas

 

 

Fonte: Prefeitura de Congonhas e Câmara Municipal de Congonhas

 

Antônio Francisco Lisboa - Aleijadinho

“O Barroco Mineiro é um fenômeno excepcional no qual uma arte grandiosa,teatral, alcançou seu apogeu em Congonhas do Campo”.
“Em sua fantástica trajetória através de três milhões de anos, desde que surgiu neste planeta, o homem sempre perseguiu com tenacidade objetivos cada vez mais altos. E no topo desses objetivos está a arte. E desta, uma das múltiplas formas é a arte plástica que o homem criou dentro de grutas há trinta e cinco mil anos e vem aperfeiçoando desde então. Mas para que uma arte atinja seu apogeu é preciso que três fatores se conjuguem: o local certo, na época certa e com o artista certo. E assim uma certa arte de alto nível, originária da Europa, tinha um encontro marcado com um artista excepcionalmente preparado e cujas origens se situavam na África. Esse feliz encontro aconteceu a milhares de quilômetros da Europa e da África, no fundo das Américas, entre as montanhas de Minas Gerais, durante o século XVIII. E desta união nasceu uma obra que marca um estágio superior da Humanidade e que a engrandece através dos tempos: o Barroco Mineiro”.

Congonhas reúne o maior conjunto da arte barroca mundial e o apogeu da criatividade do mestre Aleijadinho.

O Aleijadinho - Antônio Francisco Lisboa, nasceu no dia 29 de agosto de 1.730, afirmação feita com base na certidão de batismo. Mas, outros autores defendem a teoria de que o mestre teria nascido em 1.738, baseada no registro de óbito do livro nº 5 também encontrado na Matriz de Antônio Dias. Era filho natural do arquiteto português Manoel Francisco Lisboa e de uma de suas escravas.

Segundo pesquisadores, a lepra nervosa é a única afecção capaz de explicar a mutilação (perda dos dedos dos pés e alguns das mãos), a deformidade (atrofia e curvamento das mãos) e a desfiguração facial, as quais lhe valeram a alcunha de Aleijadinho. Sua imagem ficou intolerável:

“Antônio Francisco perdeu todos os dedos dos pés, do que resultou não poder andar senão de joelhos; os das mãos atrofiaram-se e curvaram, e mesmo chegaram a cair, restando-lhe somente, e ainda assim quase sem movimento, os polegares e os índices. As pálpebras inflamaram-se e, permanecendo neste estado, ofereciam à vista sua parte; perdeu quase todos os dentes e a boca entortou-se como sucede freqüentemente ao estuporado; o queixo e o lábio inferior abateram-se um pouco, assim o olhar do infeliz adquiriu certa expressão sinistra e de ferocidade que chegava mesmo a assustar a quem quer que o encarasse inopinadamente. Esta circunstância e a tortura da boca o tornaram de aspecto asqueroso e medonho”.

As fortíssimas dores que sofria e seu gênio impaciente e colérico o levaram a amputar, ele mesmo, seus dedos, servindo-se para isso do formão com que trabalhava. Mas sua doença não o impede de trabalhar. Apesar de ter-se isolado, trabalhando sempre escondido, ainda era alegre com seus amigos mais íntimos, os seus escravos: Maurício, Agostinho e Januário que o ajudavam em tudo, atavam-lhe as ferramentas para que ele pudesse trabalhar, as joelheiras para arrastar-se e subir escadas, carregavam-no nas costas, quando voltada ou ia para o trabalho, fugindo dos olhares alheios, bem tarde da noite. A eles ensinou seu ofício.

Foi preparado tecnicamente para a arte barroca por quatro grandes mestres da época: seu pai, seu tio e dois outros profissionais portugueses de grande experiência. Mas, a influência que porventura recebeu do progenitor e de outros mestres do tempo não teve importância decisiva na sua formação artística. Ele era um fiel aluno de si próprio e já nasceu dotado de dons excepcionais para as artes plásticas, como exímio entalhador e escultor.
Foi preparado, também emocionalmente, por causa da condição de escravo alforriado de mulato altivo.  Dedicava-se freqüentemente à leitura, lendo preferentemente a Bíblia, de onde tirava também inspiração para suas figuras, e livros de anatomia, onde procurava, além de lição para seu trabalho, pontos de referência para o conhecimento de sua doença. Era católico, ia sempre à missa na igreja de Antônio Dias, carregado numa cadeira ou no ombro de um escravo. Viveu, em seus últimos anos, com sua nora, a parteira Joana Lopes. Sua vida extinguiu-se em 18 de novembro de 1.814, aos 76 anos.

Aleijadinho foi um homem visceralmente barroco, vivendo num cenário barroco, utilizando matéria-prima barroca, numa época barroca de ambigüidades barrocas: ele era o homem certo, o artista predestinado. Sua obra impressiona não só pela beleza, mas também pela quantidade.

Fonte: Prefeitura de Congonhas

 

Talha

Como entalhador, é documentada a participação de Aleijadinho em pelo menos quatro grandes rrtábulos, como projetista e executante. Em todos eles seu estilo pessoal se desvia em alguns pontos significativos dos modelos barrocos-rococós então prevalentes. O traço mais marcante nessas complexas composições, de caráter ao mesmo tempo escultórico e arquitetural, é a transformação do arco de coroamento, já sem frontão, substituído por um imponente grupo estatuário, o que segundo Oliveira sugere a vocação primariamente escultórica do artista. O primeiro conjunto foi o projeto da capela-mor da Igreja de São José em Ouro Preto, datado de 1772, ano em que entrou para a correspondente Irmandade.Aleijadinho 01Aleijadinho 01

As obras foram executadas, contudo, por um artesão pouco qualificado, prejudicando o resultado estético. Ainda apresenta um dossel de coroamento, mas já está desprovido de ornamentos e ostenta um grupo escultórico. O conjunto mais importante é o retábulo da Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto, onde a tendência de povoar com figuras o coroamento chega ao seu ponto alto, com um grande conjunto escultórico representando as três pessoas da Santíssima Trindade.

Este grupo não apenas arremata o retábulo, mas se integra eficazmente com a ornamentação da abóbada, fundindo parede e teto num vigoroso impulso ascendente. Toda a talha do retábulo tem uma forte marca escultórica, mais do que meramente decorativa, e realiza um original jogo de planos diagonais através dos seus elementos estruturais, o que se constitui num dos elementos distintivos de seu estilo neste campo, e que se repetiu no outro grande conjunto que ele projetou, para a igreja franciscana de São João Del-Rei.

A etapa final da evolução do seu estilo como entalhador é ilustrada pelos retábulos que realizou para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo em Ouro Preto, projetados e executados por ele entre 1807 e 1809, sendo os últimos que criou antes da sua doença obrigar-lhe a mais supervisionar do que executar suas ideias. Estas peças derradeiras apresentam um grande enxugamento formal, com a redução dos elementos decorativos a formas essenciais, de grande elegância. Os retábulos são marcadamente verticalizados e se encaixam integralmente dentro dos cânones do Rococó; abandonam por inteiro o esquema do arco de coroamento, empregando apenas formas derivadas da concha (a "rocalha") e da ramagem como motivos centrais das ornamentações. O fuste das colunas não mais se divide em dois por um anel no terço inferior, e a sanefa aparece integrada à composição porvolutas sinuosas.

Arquitetura

(Foto-projeto fachada da Igreja São Francisco de Assis)Aleijadinho-São-Francisco-de-Assis-São-João-del-ReiAleijadinho-São-Francisco-de-Assis-São-João-del-Rei

Aleijadinho atuou como arquiteto, mas a extensão e natureza desta atividade são bastante controversas. Só sobrevive documentação relativa ao projeto de duas fachadas de igrejas, Nossa Senhora do Carmo em Ouro Preto e São Francisco de Assis em São João del-Rei, ambas iniciadas em 1776, mas cujos riscos foram alterados na década de 1770.  A tradição oral sustenta que ele foi autor também do risco da Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto, mas a respeito dela só é documentada sua participação como decorador, criando e executando retábulos, púlpitos, portada e um lavabo.

Também criou, como já foi mencionado, projetos para retábulos e capelas, que se enquadram mais na função do decorador-entalhador, ainda que tenham proporções arquitetônicas. Oliveira afirma que a comparação entre os projetos de fachadas documentados e o tradicionalmente atribuído evidencia que se tratam de universos estilísticos muito diferentes, sugerindo que a atribuição da igreja franciscana de Ouro Preto a Aleijadinho é no mínimo questionável.

Esta apresenta um modelo mais compacto, com volumes mais dinâmicos e pobre ornamentação nas aberturas salvo a portada, cuja autoria do Aleijadinho é definida. Sua estética remete mais a modelos antigos do Barroco. As outras duas possuem janelas decoradas e volumes menos salientes, e são concebidas já bem dentro do estilo Rococó.
Os problemas se tornam mais complexos na análise da sua contribuição para a arquitetura religiosa mineira quando se constata a discrepância entre o projeto da Igreja de São Francisco de Assis em São João del-Rei, que foi recuperado, com o resultado que hoje é visível, tendo sofrido diversas modificações por Francisco de Lima Cerqueira, a ponto de ser justo chamá-lo de co-autor da obra. Segundo Oliveira,

"O projeto elaborado pelo Aleijadinho em 1774 para a fachada da igreja de São Francisco de São João del-Rei, que se situa naSFrancis-SJdelReiSFrancis-SJdelRei mesma linha evolutiva do Carmo de Ouro Preto, teria vindo a caracterizar, se executado, a mais genuinamente rococó das fachadas religiosas mineiras.... o risco, felizmente conservado, um belo e minucioso desenho em bico-de-pena com marcação dos volumes em sombreado, dá uma ideia bastante precisa do pensamento original do autor. As elegantes torres chanfradas e ligeiramente arredondadas enquadram um frontispício levemente sinuoso como o da igreja do Carmo, tendo desenho semelhante ao dessa igreja, com o mesmo coroamento em forma de sino, em tratamento mais evoluído. Outras semelhanças podem ser detectadas no desenho ornamental da portada e das molduras das janelas, diferindo, entretanto, o modelo do óculo e do frontão, ladeado de vigorosas rocalhas chamejantes, que impulsionam visualmente para o alto o relevo escultórico central com a cena da visão de São Francisco no Monte Alverne"

(Foto-Igreja de São Francisco)

Escultura

(Foto-Recibo assinado pelo Aleijadinho quando recebeu o pagamento pela obra dos Profetas)

Recibo-autógrafo-de-Aleijadinho-obras-os-profetasRecibo-autógrafo-de-Aleijadinho-obras-os-profetasSantuário do Bom Jesus de Matosinhos, Doze profetas de Aleijadinho
Sua maior realização na escultura de vulto completo são os conjuntos do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas - as 66 estátuas da Via Sacra, Via Crucis ou dos Passos da Paixão, distribuídas em seis capelas independentes, e os Doze Profetas no adro da igreja. Todas as cenas da Via Sacra, talhadas entre 1796 e 1799, são intensamente dramáticas, e aumenta esse efeito o vivo colorido das estátuas em tamanho natural, pintadas, segundo indica um contrato assinado em  1798, por Mestre Ataíde e Francisco Xavier Carneiro. Entretanto, não é certo que Carneiro tenha trabalhado nas peças, pois não constam pagamentos a ele realizados no Livro 1° de Despesa até 1837, quando este se encerra.

A tipologia da Via Sacra é antiga, remonta à tradição do Sacro Monte, nascida na Itália séculos antes de ser reencenada em Congonhas.

O tipo se constitui num conjunto de cenas da Paixão de Jesus, de caráter teatral e patético, destinadas explicitamente a invocar a piedade e compaixão, reconstruindo resumidamente o percurso de Jesus desde a Última Ceia até sua crucificação. As cenas são usualmente dispostas numa série de capelas que antecedem um templo colocado no alto de uma colina ou montanha - e daí o nome de Sacro Monte - exatamente como é o caso do Santuário de Congonhas, erguido por Feliciano Mendes em pagamento de uma promessa e imitando o modelo do santuário homônimo deBraga, em Portugal.

Julian Bell encontrou no conjunto brasileiro uma intensidade não superada nem mesmo pelos seus modelos italianos, e Mário de Andrade o leu como exemplo de um expressionismo às vezes feroz. Gilberto Freyre e outros viram em algumas destas peças, em especial nos grotescos soldados romanos que atormentam Cristo, um grito pungente e sarcástico, ainda que velado, de protesto contra a opressão da colônia pelo governo português e do negro pelo branco. Freyre, ao mesmo tempo, identificou raízes tipicamente folclóricas para a constituição do seu extravagante estilo pessoal, como a iconografia satírica da cultura popular, se admirando da hábil maneira com que Aleijadinho introduziu elementos da voz do povo para dentro do universo da alta cultura do Barroco internacional.

Através da comparação entre a qualidade das várias figuras individuais, pesquisadores chegaram à conclusão de que ele não executou todas as imagens da Via Sacra. Sua mão estaria apenas nas da primeira capela, onde se representa a Santa Ceia, e nas da segunda capela, figurando a Agonia no Horto das Oliveiras. Das outras capelas teria esculpido pessoalmente apenas algumas das figuras. Na terceira, da Prisão, o Cristo e possivelmente São Pedro, e na que abriga duas cenas, a Flagelação e a Coroação de Espinhos, também as figuras de Cristo, e um dos soldados romanos, que teria servido de modelo para todos os outros, esculpidos por seus assistentes. Na capela do Carregamento da Cruz, a figura do Cristo e possivelmente as duas mulheres chorosas, junto com o menino que carrega um prego da cruz. Na capela da Crucificação, suas seriam as imagens do Cristo pregado e dos dois ladrões que o ladearam no Calvário, além, possivelmente, também a de Maria Madalena.

                                                                                                                                                                                                            (Foto-Profeta Ezequiel)

Ezequiel-AleijadinhoEzequiel-Aleijadinho

A outra parte do conjunto de Matosinhos são as doze esculturas dos profetas, realizadas entre 1800 e 1805, cujo estilo em particular é fonte de controvérsia desde a manifesta incompreensão de Bernardo Guimarães no século XIX, que desconcertado diante dos aparentes erros de talha e desenho, ainda assim reconhecia nas estátuas momentos de notável beleza e solenidade, verdadeiramente dignas dos profetas. O conjunto se configura como uma das séries mais completas representando profetas na arte cristá ocidental. Estão presentes os quatro principais profetas do Artigo Testamento - Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel  em posição de destaque na ala central da escadaria - e oito profetas menores, escolhidos segundo a importância estabelecida na ordem do cânon bíblico, sendo eles Baruc Oseias, Jonas, Joel, Abdias, Amós, Naum e Habacuc.

As proporções das figuras são extremamente distorcidas. Uma parte da crítica atribui isso à incompetência de seu grupo de auxiliares ou às dificuldades de manejo do cinzel geradas por sua doença, mas outros se inclinam para ver nelas uma intencionalidade expressiva, e outros ainda entendem as distorções como recurso eminentemente técnico destinado a compensar a deformação advinda do ponto de vista baixo a partir do qual as estátuas são vistas, demonstrando o criador estar ciente dos problemas e exigências da representação figural em escorço. De fato a dramaticidade do conjunto parece ser intensificada por essas formas aberrantes, que se apresentam em uma gesticulação variada e teatral, imbuída de significados simbólicos referentes ao caráter do profeta em questão e ao conteúdo de sua mensagem.

Dez dentre eles apresentam o mesmo tipo físico: um jovem de rosto esguio e traços elegantes, maçãs do rosto salientes, barbas aparadas e longos bigodes. Somente Isaías e Naum aparecem como velhos de longas barbas. Todos também trajam túnicas semelhantes, decoradas com bordados, salvo Amós, o profeta-pastor, que usa um manto do tipo dos trajes de pele de carneiro encontrados entre os camponeses da região do Alentejo. Daniel, com o leão a seus pés, também se destaca no grupo e crê-se que pela perfeição de seu acabamento seja talvez uma das únicas peças do conjunto inteiramente realizada pelo mestre mineiro. Segundo Soraia Silva,

"O que o Aleijadinho efetivamente deixou representado nesta obra foi uma dinâmica postural de oposições e correspondências. Cada estátua representa um personagem específico, com sua própria fala gestual. Mas apesar dessa independência no espaço representativo e até mesmo no espaço físico, elas mantêm um diálogo corporal, formando uma unidade integrada na dança profética da anunciação da vida, morte e renascimento".

Outras teses identificam propósitos ocultos na composição do conjunto. A pesquisadora Isolde Venturelli atribuiu ao Aleijadinho inclinações políticas libertárias, e viu em cada profeta o símbolo de um inconfidente, opinião compartilhada com Martin Dreher, e que encontra algum apoio no fato de que sua ligação com Cláudio Manuel da Costa  está documentada. Marilei Vasconcelos distinguiu nos profetas uma série de símbolos maçônicos. De qualquer forma, a concepção do conjunto é típica do Barroco religioso internacional: dramático, coreográfico e eloquente. Giuseppe Ungaretti,  espantado com a intensidade mística das figuras, disse que "os profetas do

Aleijadinho não são barrocos, são bíblicos". Gabriel Frade pensa que o conjunto integrado pela igreja, o amplo adro e os profetas se tornou um dos mais notórios da arquitetura sagrada no Brasil, sendo um perfeito exemplo de como elementos interdependentes de complementam coroando de harmonia a totalidade da obra. Para John Bury,

"Os Profetas do Aleijadinho são obras-primas, e isso em três aspectos distintos: arquitetonicamente, enquanto grupo; individualmente, como obras escultóricas, e psicologicamente, como estudo de personagens que representa. Desde este último ponto de vista, elas são … as esculturas mais satisfatórias de personagens do Antigo Testamento que jamais foram executadas, com exceção do Moisés de Michelangelo".

Hoje todo o conjunto do Santuário é um Patrimônio da Humanidade, conforme declaração da UNESCO,  além de ser tombado pelo IPHAN.

Aleijadinho-cristoAleijadinho-cristoAinda dentro do campo da escultura se alinham os grandes relevos que ele esculpiu para pórticos de igrejas, que introduziram no Brasil um padrão de larga posteridade. Típico dessa inovação é a cartela ou brasão coroado ladeado por anjos, que apareceu primeiro na portada da Igreja do Carmo de Sabará. Bazin relacionou esse modelo a protótipos do Barroco português da época de Dom João V, que eram amiúde empregados lá e no Brasil para o coroamento de retábulos, mas a presença repetida desses elementos em igrejas carmelitas portuguesas sugere também uma preferência desta Ordem religiosa.

Aleijadinho transferiu esse modelo para os portais das igrejas franciscanas de Ouro Preto e São João del-Rei, onde a composição se torna muito mais complexa e virtuosística. Em Ouro Preto os anjos apresentam dois brasões lado a lado, unidos pela coroa de espinhos de Cristo e os braços estigmatizados, símbolos da Ordem Franciscana, e sobre isso se abre um grande medalhão com a figura da Virgem Maria, arrematado por uma grande coroa real. Decoram o conjunto guirlandas, flores, cabeças de querubins e fitas com inscrições, além de volutas e motivos de concha e folhagem.

Também constituem novidade o desenho das peanhas, em arco semicircular, e a adição de fragmentos de entablamento acima das pilastras laterais, decorados com denteados e volutas. Os mesmos motivos aparecem em São João del-Rei, mas todos estes portais aparentemente foram modificados, em sua parte estrutural, por Cerqueira. Um diferencial do exemplo de Ouro Preto é a presença de um relevo adicional ocluindo o óculo, onde São Francisco de Assis aparece recebendo os estigmas, que para Mário de Andrade está entre suas criações mais primorosas, aliando notável doçura e realismo.  Na mesma categoria devem ser lembrados os lavabos monumentais e os púlpitos que esculpiu em pedra-sabão em igrejas de Ouro Preto e Sabará, todos com rico trabalho escultórico em relevo, tanto ornamental como em cenas descritivas

 Fonte: Wikipédia

Por Drummond

Aleijadinho e Os Profetas

 

       Esse mulato de gênio
       lavrou na pedra-sabão
       todos os nossos pecados,
       as nossas luxúrias todas,
       e esse tropel de desejos
       e essa ânsia de ir para o céu
       e de ficar mais na terra;
       Era uma vez um Aleijadinho,
       não tinha dedo, não tinha mão,
       raiva e cinzel lá isso tinha,
       era uma vez um Aleijadinho,
       era uma vez muitas igrejas
       com muitos paraísos e muitos infernos,
       era uma vez São João, Ouro Preto, Sabará, Congonhas,
       era uma vez muitas cidades
       e um Aleijadinho era uma vez.

 

      ( Carlos Drummond de Andrade )

 

Em Congonhas